06/01/2012
Querida amiga secreta... @ 00:33
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... queria sentar inspirada e te escrever um baita texto, sabe? Te desejar coisas bonitas, quem sabe intercalar com alguma música... Mas a verdade é que 2012 chegou pra mim junto com uma das TPMs mais brabas - e olha que eu falo isso todo mês. Vai ver tem algum tipo de aposta (secreta e mensal) rolando na mesa do Destino para ver quem consegue irritar mais a Letícia. Comecei mal. Um mal sinal do que ainda está por vir, não é? Pois é, eu sei.

Ou não. Vai que esse é o nosso ano? Vai que 2012 vai ser, para mim e para você, o ano de nossas vidas?

Você diz que 2011 foi um ano de dúvidas. Pra mim também. E que espera que 2012 tenha menos delas (pra mim também) e que tenha mudanças. Aí deixamos de concordar. Vou te dizer que tenho medo de mudanças. Que 2011 foi isso pra mim, um baita dum buraco negro. Aí eu saí não sei como e cheguei aqui. Na primeira semana do ano com uma TPM. Talvez seja para eu aprender a lidar com ela de uma vez por todas.

E com você, como é que foi? Foi colorido, mágico, feliz? Porque se não for, nem me conte. Quero te ouvir dizer que foi feliz. Senão 2012 é mesmo o fim de tudo. Já li tanta gente por aí reclamando que nem eu estou fazendo agora... 

Em 2012, Luna eu quero que sejamos felizes a maior parte do tempo, que façamos nós mesmas os momentos felizes. Pois se uma coisa eu aprendi no ano passado é que não existe felicidade, mas alegria. A diferença é que a segunda está espalhada em momentos, que juntos compõem a tal danada. E a ela nós só chegamos no final da vida, num dia em que acordamos e pensamos "fui feliz". ¿Que triste, no?

23/12/2011
Em 2011 eu... @ 03:21
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Quando assisti ao filme Um dia, como todo mundo fiquei fascinada por todo o lance de um dia na vida de um casal de amigos ao longo de 20 anos. Até que fiquei irritada.

Um ano depois é interessante, mas a impressão que fica é de que um ano é resultado de 365 dias. Um resultado rápido e fácil, que não dá a real dimensão da dificuldade – ou felicidade – que foi chegar àquele  seguinte. 365 dias passam com tanta facilidade, que de uma noite de tristeza para uma noitada premiada parece um passe mágica. Só que na vida não é assim. Entre uma noite se acabando de chorar e se permitindo ser feliz de novo, há muita coisa no meio.

Quando decidi fazer uma retrospectiva, os eventos vieram com fluidez e fui facilmente escrevendo uma lista do que me aconteceu em 2011, mas só eu sei o quanto foi difícil ou feliz vivê-los.


São vários itens para dizer o que finalmente compreendi: 2011 não veio para eu me encontrar como pessoa, mas para dar um primeiro passo nesse processo. Saí da minha zona de conforto, resolvi seguir no caminho de encontrar alguém legal em mim mesma, realmente acreditando que ainda há salvação para alguém como eu. Queria dizer, porque é o que sinto no coração, que 2011 inteiro começou em agosto, com uma tristeza que parecia não ter mais fim, afinal, foi o mês em que eu mais me encontrei chorando em banheiros públicos e desabafando com estranhos.

Mas como essa listinha bem prova, isso não seria muito verídico. Coisas boas e ruins aconteceram. Coisas muito ruins aconteceram. Mas cá estou, firme e forte, e o que 2011 me ensinou acima de tudo foi: eu existo. Independente de tudo e de todos. Não sei inteiramente o quê é que existe em mim, mas sei que tem algo de valor aqui e que não preciso ter pressa em descobrir, não preciso ter pressa em conhecer o mundo em que existo sem antes conhecer a mim.

2011 foi o ano de sair do ninho e deixar um pouquinho de me ver um patinho feio. A frase do ano: "Isn't it time you got over how fragile you are?"


Para 2012 eu desejo a consolidação de tudo isso que aprendi. Desejo a mim mesma mais forte, menos medrosa. Desejo a paciência e a consciência de saber que em 1 ano muitas coisas mudam. Em 2012 eu quero sentir paz.

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09/12/2011
Um passo mais perto da geração saúde @ 11:56
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Em 15 de dezembro vou completar 2 meses sem beber refrigerante. Ok, admito, não estou em total abstinência e nesse tempo dei umas três bicadinhas num copo de coca-cola e umas duas num de guaraná. Mas soube sobreviver às garrafas que sobraram do meu aniversário em outubro e rolaram na geladeira até início de novembro, e depois às que sobraram do aniversário do meu pai no final do mês.

E cá estou firme e forte, sem consumir refrigerante há 2 meses e feliz da vida. Investi nos sucos naturais e nos de lata, e não é que nem estou sentindo falta dos gasosos? Achei que ia ser difícil resistir, mas foi mais fácil do que imaginei. E também não estou passando por aquilo que as pessoas relatam de, depois de algum tempo sem, o gosto passar a ser insuportável de tão amargo. De vez em quando me bate uma saudade e um desejo louco de beber Fanta laranja, mas me controlo. 

E por que estou fazendo tudo isso? Certamente não é um protesto contra a indústria dos refrigerantes. Nem porque resolvi ser saudável – meu organismo continua anti-green. O medo das terríveis celulites é que foi muito eficiente. A decisão veio quando me dei conta de que já estou chegando nos 20 e que, daqui para frente, a tendência é a decadência, e que também não sou da vibe geração saúde, ou seja, que meu futuro prometia ser feio. 

Já me disseram também que de nada adianta eu ter cortado o refrigerante, mas continuado a comer loucamente doces, o que me acenou para a possibilidade de um segundo item a ser cortado: biscoitos. Mas esses eu não consigo cortar agora de jeito nenhum. Ainda estou nos 19, saindo da adolescência e sonhando com o dia em que vou morar sozinha e comer Fandangos todo dia! Não rola. E também não me preocupa tanto assim, porque percebi que, ao eliminar os refrigerantes, que são muito calóricos, posso descontar, sem grandes preocupações, meu estresse diário em doces e outras comidas, porque a fatia de calóricos que posso consumir sem engordar aumentou.

O engraçado e inesperado é que é do docinho amargo do refrigerante de laranja que eu sinto mais falta.




ps: por que eu sempre retorno e me dedico a postar quando estou de férias? Projeto 2012: PDT!

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22/10/2011
Quando me dei unplug @ 00:28
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Hoje experimentei o impensável: tirei os fones de ouvido em todo o trajeto de ida para e de volta da faculdade. Experimentei ouvir os barulhos à volta, realmente viver aquela experiência. Nem ler eu li. E, mais importante do que tudo, calei as vozes que falavam na minha cabeça, entrando pelos ouvidos ou pelos olhos. Hoje experimentei não pensar em nada, e, assim, estar apta a pensar o que surgisse de mim. Só de mim.

Estamos tão habituados a pôr os pés fora de casa e já puxar o fone de ouvido da bolsa, a pegar o smartphone e ir teclando pelo caminho, lendo ou o que quer que seja, enfim, estamos nos mantendo ocupados o tempo todo, como se um minuto para não fazer coisa alguma fosse proibido. Como se já houvessem tantas fontes no mundo que não precisássemos pensar ou produzir por iniciativa própria.

Os fones de ouvido me estavam sufocando, falando mais do que eu falava a mim mesma. Hoje me senti livre, e o não pensar em nada específico me deu uma refrescada.

08/09/2011
O que aconteceu em 1 semana @ 13:32
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Semana passada na faculdade vimos o documentário Morrendo para contar a história.

Dan Eldon era fotojornalista e cobria sua primeira guerra, a da Somália, quando foi morto. Três anos depois, sua irmã caçula resolve saber sobre o que lhe aconteceu, entrevistar fotojornalistas e correspondentes de guerra famosos e talvez descobrir por quê alguém se arriscaria a morrer para contar uma história.



A Letícia que quis entrar na faculdade de Jornalismo morreria pra contar uma história, iria a um país em guerra para provar a si mesma que sua existência não se limitou a crescer, ganhar para sobreviver e no final procriar. Foi o que pensei durante a exibição do documentário.

Aí pensei: por que hoje eu não faria o mesmo? Uma parte em mim ainda queria se sentir assim, uma parte em mim ainda não tinha raízes definitivas aqui que me impedissem de "estar com uma passagem pro inferno e sorrindo".

A aula de Fotojornalismo acabou e a matéria seguinte nos levaria a um passeio na Band. Quase não fui. Como eu me arrependeria se não tivesse ido. Naquele dia me redescobri. Principalmente, redescobri o que eu tanto gostava no Jornalismo e que ainda era o que eu queria fazer da vida. Era exatamente como eu havia imaginado na adolescência.

Incrível como tanta coisa boa saiu da semana passada e me fez crescer, gostar mais de mim e do que posso vir a ser no futuro.

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27/08/2011
Esta que vos fala torce para o boi @ 15:44
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Estava no Facebook quando vi uma imagem compartilhada que me fez abrir o Blogspot e escrever o que eu vinha tentando desde domingo. A imagem, que por ser pesada não vou postar aqui, tinha duas fotos: uma do touro pisando num toureiro e outra do touro perfurando o queixo do toureiro com o chifre. E acima, com uma setinha apontando pra foto da pessoa, vinha escrito:

Esta pessoa torce para o boi.

Pois bem. Apesar de toda a minha sensibilidade com animais e de ser definitivamente contra touradas ou rodeios, na quinta feira passada lá fui eu para Barretos, pro primeiro final de semana da Festa do Peão. A princípio recusei o convite do meu pai e ele ia sozinho, mas ajudando-o a comprar a mala me deu uma vontade muito grande de sair de casa, de arrumar a minha mala e ir viajar também! Não parei pra pensar que tinha recusado porque era um rodeio, coloquei na cabeça que chegando lá haveria outras coisas pra fazer. Fui com isso em mente, mas chegando lá, adentrando o Parque do Peão, eu desabei.

Logo na entrada do Parque, um boi parado e um homem ao lado, recolhendo dinheiro de quem estivesse disposto a pagar R$5,00 para tirar foto em cima do boi. Meu pai quis tirar. Respirei fundo e me aproximei com a câmera na mão enquanto meu pai pagava e outra pessoa estava montada. Fiquei de frente pro boi, ele me olhando com aquele olhar sereno e eu o encarando de volta. Finalmente entendi o significado de "olhar bovino", da submissão que traz a expressão.

O olhar do boi era triste, mas conformado de que aquela era sua situação. Viesse a pessoa mais gorda ou a mais magra, uma mulher com salto agulha que o machucasse, enfim, viesse quem fosse o boi estaria ali para subirem nele e virarem seu rosto na direção da câmera (nem virar o rosto pro lado ele podia). Chorei, chorei muito olhando nos olhos do boi e ele me encarando de volta. Meu pai subiu e, chorando, tirei a foto. Nos afastamos e quando ele me viu chorando já sabia o porquê, veio me abraçar e dizer que não era minha culpa, me comprar água de coco e oferecer comida.

E eu não parava de chorar, porque sim, era minha culpa. Sabia que aquilo tudo existia e tinha certeza absoluta dos meus motivos para ser contra, mas, ainda assim, eu fui. Não importa que o boi valha mais de R$1 milhão e tem qualidade de vida superior à de muita gente, aquilo não é vida! Sendo Deus quem criou o boi ou ele que evoluiu de um ancestral, não é para aquilo que ele existe. Animais não deveriam ser objetos de entretenimento para humanos!

Definitivamente torço para o boi. Não é felicidade porque alguém está sendo machucada, mas pelo touro não ter sido passivo. Uma correia que aperta seus testítulos enquanto um retardado pula em cima de você e as pessoas ainda esperam que você pule na hora certa e volte pra dentro na hora certa?

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14/08/2011
O meu quarto caótico @ 17:07
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A cada começo de período eu me faço a promessa de arrumar o quarto e colocar a bagunça em ordem, jogar fora muitas coisas que venho guardando na esperança de um dia olhar pra elas e construir uma linha do tempo. Eu realmente tenho essa ideia na cabeça, de que algum dia no futuro precisarei dessas pequenas coisas que me lembrem o que já vivi porque, veja bem, é muita coisa. Mesmo que não aconteça nada comigo ao estilo Brilho eterno de uma mente sem lembranças ou qualquer outro filme sobre perda de memória, só em arrumar eu me sento, pego uma filipeta de cinema e já sou capaz de reconstruir mais ou menos o que aconteceu aquele dia.

Estou entrando no quarto período, indo para o ciclo profissional e para finalmente começar a estudar Jornalismo propriamente dito, e meu quarto continua o mesmo de três períodos atrás. 

Lembro de um trecho da crônica A morte é uma piada, da Martha Medeiros: "Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.". É exatamente assim, guardar suas coisas e lembranças queridas numa caixa ou gaveta pra quando morrer outra pessoa vir arrumar tudo e se desfazer do que ela não pode carregar por não ser dela.

Um professor disse que tiramos fotos de viagem por sabermos não ser capaz de guardar na memória tudo aquilo, e eu sei que não serei capaz de reconstruir tanto só na memória, quando eu for adulta e o dia de arrumar e esvaziar essa casa chegar.  É por isso que guardo tudo, que fico cada vez mais sem espaço no quarto.

Queria um quarto vazio ao lado do meu lotado e bagunçado, no qual eu pudesse estocar mais coisas e lembranças, que eu soubesse ser permanente, daí não haveria a necessidade de eu arrumar tudo a cada seis meses e poderia muito bem deixar tudo isso pra quem viesse arrumar depois que morresse, torcendo que ao menos meu filho ou bisneto tenha o carinho de procurar reconstituir o que fui.

Tenho 18 anos e 10 meses, e já me falta espaço no quarto.

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