A cada começo de período eu me faço a promessa de arrumar o quarto e colocar a bagunça em ordem, jogar fora muitas coisas que venho guardando na esperança de um dia olhar pra elas e construir uma linha do tempo. Eu realmente tenho essa ideia na cabeça, de que algum dia no futuro precisarei dessas pequenas coisas que me lembrem o que já vivi porque, veja bem, é muita coisa. Mesmo que não aconteça nada comigo ao estilo Brilho eterno de uma mente sem lembranças ou qualquer outro filme sobre perda de memória, só em arrumar eu me sento, pego uma filipeta de cinema e já sou capaz de reconstruir mais ou menos o que aconteceu aquele dia.
Estou entrando no quarto período, indo para o ciclo profissional e para finalmente começar a estudar Jornalismo propriamente dito, e meu quarto continua o mesmo de três períodos atrás.
Lembro de um trecho da crônica A morte é uma piada, da Martha Medeiros: "Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.". É exatamente assim, guardar suas coisas e lembranças queridas numa caixa ou gaveta pra quando morrer outra pessoa vir arrumar tudo e se desfazer do que ela não pode carregar por não ser dela.
Um professor disse que tiramos fotos de viagem por sabermos não ser capaz de guardar na memória tudo aquilo, e eu sei que não serei capaz de reconstruir tanto só na memória, quando eu for adulta e o dia de arrumar e esvaziar essa casa chegar. É por isso que guardo tudo, que fico cada vez mais sem espaço no quarto.
Queria um quarto vazio ao lado do meu lotado e bagunçado, no qual eu pudesse estocar mais coisas e lembranças, que eu soubesse ser permanente, daí não haveria a necessidade de eu arrumar tudo a cada seis meses e poderia muito bem deixar tudo isso pra quem viesse arrumar depois que morresse, torcendo que ao menos meu filho ou bisneto tenha o carinho de procurar reconstituir o que fui.
Tenho 18 anos e 10 meses, e já me falta espaço no quarto.
A cada começo de período eu me faço a promessa de arrumar o quarto e colocar a bagunça em ordem, jogar fora muitas coisas que venho guardando na esperança de um dia olhar pra elas e construir uma linha do tempo. Eu realmente tenho essa ideia na cabeça, de que algum dia no futuro precisarei dessas pequenas coisas que me lembrem o que já vivi porque, veja bem, é muita coisa. Mesmo que não aconteça nada comigo ao estilo Brilho eterno de uma mente sem lembranças ou qualquer outro filme sobre perda de memória, só em arrumar eu me sento, pego uma filipeta de cinema e já sou capaz de reconstruir mais ou menos o que aconteceu aquele dia.
Estou entrando no quarto período, indo para o ciclo profissional e para finalmente começar a estudar Jornalismo propriamente dito, e meu quarto continua o mesmo de três períodos atrás.
Lembro de um trecho da crônica A morte é uma piada, da Martha Medeiros: "Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.". É exatamente assim, guardar suas coisas e lembranças queridas numa caixa ou gaveta pra quando morrer outra pessoa vir arrumar tudo e se desfazer do que ela não pode carregar por não ser dela.
Um professor disse que tiramos fotos de viagem por sabermos não ser capaz de guardar na memória tudo aquilo, e eu sei que não serei capaz de reconstruir tanto só na memória, quando eu for adulta e o dia de arrumar e esvaziar essa casa chegar. É por isso que guardo tudo, que fico cada vez mais sem espaço no quarto.
Queria um quarto vazio ao lado do meu lotado e bagunçado, no qual eu pudesse estocar mais coisas e lembranças, que eu soubesse ser permanente, daí não haveria a necessidade de eu arrumar tudo a cada seis meses e poderia muito bem deixar tudo isso pra quem viesse arrumar depois que morresse, torcendo que ao menos meu filho ou bisneto tenha o carinho de procurar reconstituir o que fui.
Tenho 18 anos e 10 meses, e já me falta espaço no quarto.
O PDT está no ar desde 10/08/2010. Não é por ser amante do tédio, mas hierarquicamente superior a ele, por reinar sobre ele. É para mostrar ao mundo a que ponto chegou o meu Big Bang.
Autora
Meu nome é Letícia, tenho 19 anos e sou estudante do quarto período de Jornalismo. Gosto de ler, escrever e de assistir filmes e seriados até tarde da noite. Amo gatos, a Clarice Lispector, o Jorge Amado e o Gabriel García Marquez. Acredito que tudo na vida passa e que só algumas coisas durem pra sempre, mas, acima de tudo, eu acredito no amor.