Quando assisti ao filme Um dia, como todo mundo fiquei fascinada por todo o lance de um dia na vida de um casal de amigos ao longo de 20 anos. Até que fiquei irritada.
Um ano depois é interessante, mas a impressão que fica é de que um ano é resultado de 365 dias. Um resultado rápido e fácil, que não dá a real dimensão da dificuldade – ou felicidade – que foi chegar àquele seguinte. 365 dias passam com tanta facilidade, que de uma noite de tristeza para uma noitada premiada parece um passe mágica. Só que na vida não é assim. Entre uma noite se acabando de chorar e se permitindo ser feliz de novo, há muita coisa no meio.
Quando decidi fazer uma retrospectiva, os eventos vieram com fluidez e fui facilmente escrevendo uma lista do que me aconteceu em 2011, mas só eu sei o quanto foi difícil ou feliz vivê-los.
Peguei o certificado CAE, de Cambridge. Depois de um semestre de 2010 estudando e tendo feito a prova no final do ano passado, em março foi a cerimônia de entrega do certificado. Deixei papai orgulhoso e tudo <3
Comecei o curso de Espanhol. A minha primeira opção era Francês, mas como já tinha tido alguma coisa de Espanhol na escola, resolvi não jogar na lixeira e me matriculei no CCAA no início do ano. O que acabou rendendo uma boa coisa abaixo.
Participei da realização de um documentário, para a matéria Linguagem Audiovisual II da faculdade - fiquei na edição. Um menino do grupo tinha um avô que foi militar na ditadura, então fizemos sobre ele procurando saber coisas a respeito.
Na faculdade, saí do ciclo básico e finalmente entrei em Jornalismo. Depois de 3 semestres me vangloriando para meus amigos de Engenharia que passar em Comunicação Social era relativamente fácil, esse semestre eu tive de ralar.
Terminei um namoro de 2 anos, 1 mês e 21 dias.
Começamos, aqui em casa, uma obra que era para ser só a expansão do meu quarto, mas que pintou as minhas paredes de roxo (muito amor!) e, como sobrou uma quantidade considerável de tinta, pintamos o resto da casa de lilás e trocamos o piso.
Viajei sozinha para ficar com a Pam, minha amiga, em Búzios, onde fui pela primeira vez a uma boate. E gostei. E onde também fiquei bêbada pela primeira vez. O que aconteceu algumas outras vezes depois disso. Como disse Rory Gilmore sobre um assunto completamente diferente, depois que você aprende o caminho na primeira vez é relativamente fácil fazer de novo.
Tive uma crise muito séria com Jornalismo, mas resolvi ficar. Eu realmente pretendia terminar o semestre e trancar o curso. Contar para o meu pai foi um modo de juntar forças para fazer o vestibular de novo, mas aí
fiz minha primeira reportagem séria. Entrevistei o presidente de uma seccional da OAB e foi MUITO legal! A faculdade às vezes pode ser desestimulante, mas redescobri que o jornalismo é legal.
Conheci e comecei a namorar meu namorado atual <3
Fui ao Rock in Rio e, consequentemente, ao meu primeiro show sério (o primeiro tinha sido The Fevers, uma banda do tempo dos seus pais e, se bobear, avós, mas que eu não tenho vergonha de admitir que gosto muito).
Fui pela primeira vez à Lapa. E gostei. O que nos leva a uma constatação: não doeu comemorar meu aniversário. Tinha tudo para doer, mas foi bom. Apesar dos vexames.
Deixei de ser antissocial e exercitei minha interatividade com pessoas da mesma espécie.
E, finalmente, estou fechando o ano com uma notícia que promete que 2012 vai ser muito bom, mas que ainda não posso contar ;)
São vários itens para dizer o que finalmente compreendi: 2011 não veio para eu me encontrar como pessoa, mas para dar um primeiro passo nesse processo. Saí da minha zona de conforto, resolvi seguir no caminho de encontrar alguém legal em mim mesma, realmente acreditando que ainda há salvação para alguém como eu. Queria dizer, porque é o que sinto no coração, que 2011 inteiro começou em agosto, com uma tristeza que parecia não ter mais fim, afinal, foi o mês em que eu mais me encontrei chorando em banheiros públicos e desabafando com estranhos.
Mas como essa listinha bem prova, isso não seria muito verídico. Coisas boas e ruins aconteceram. Coisas muito ruins aconteceram. Mas cá estou, firme e forte, e o que 2011 me ensinou acima de tudo foi: eu existo. Independente de tudo e de todos. Não sei inteiramente o quê é que existe em mim, mas sei que tem algo de valor aqui e que não preciso ter pressa em descobrir, não preciso ter pressa em conhecer o mundo em que existo sem antes conhecer a mim.
2011 foi o ano de sair do ninho e deixar um pouquinho de me ver um patinho feio. A frase do ano: "Isn't it time you got over how fragile you are?"
Para 2012 eu desejo a consolidação de tudo isso que aprendi. Desejo a mim mesma mais forte, menos medrosa. Desejo a paciência e a consciência de saber que em 1 ano muitas coisas mudam. Em 2012 eu quero sentir paz.
Quando assisti ao filme Um dia, como todo mundo fiquei fascinada por todo o lance de um dia na vida de um casal de amigos ao longo de 20 anos. Até que fiquei irritada.
Um ano depois é interessante, mas a impressão que fica é de que um ano é resultado de 365 dias. Um resultado rápido e fácil, que não dá a real dimensão da dificuldade – ou felicidade – que foi chegar àquele seguinte. 365 dias passam com tanta facilidade, que de uma noite de tristeza para uma noitada premiada parece um passe mágica. Só que na vida não é assim. Entre uma noite se acabando de chorar e se permitindo ser feliz de novo, há muita coisa no meio.
Quando decidi fazer uma retrospectiva, os eventos vieram com fluidez e fui facilmente escrevendo uma lista do que me aconteceu em 2011, mas só eu sei o quanto foi difícil ou feliz vivê-los.
Peguei o certificado CAE, de Cambridge. Depois de um semestre de 2010 estudando e tendo feito a prova no final do ano passado, em março foi a cerimônia de entrega do certificado. Deixei papai orgulhoso e tudo <3
Comecei o curso de Espanhol. A minha primeira opção era Francês, mas como já tinha tido alguma coisa de Espanhol na escola, resolvi não jogar na lixeira e me matriculei no CCAA no início do ano. O que acabou rendendo uma boa coisa abaixo.
Participei da realização de um documentário, para a matéria Linguagem Audiovisual II da faculdade - fiquei na edição. Um menino do grupo tinha um avô que foi militar na ditadura, então fizemos sobre ele procurando saber coisas a respeito.
Na faculdade, saí do ciclo básico e finalmente entrei em Jornalismo. Depois de 3 semestres me vangloriando para meus amigos de Engenharia que passar em Comunicação Social era relativamente fácil, esse semestre eu tive de ralar.
Terminei um namoro de 2 anos, 1 mês e 21 dias.
Começamos, aqui em casa, uma obra que era para ser só a expansão do meu quarto, mas que pintou as minhas paredes de roxo (muito amor!) e, como sobrou uma quantidade considerável de tinta, pintamos o resto da casa de lilás e trocamos o piso.
Viajei sozinha para ficar com a Pam, minha amiga, em Búzios, onde fui pela primeira vez a uma boate. E gostei. E onde também fiquei bêbada pela primeira vez. O que aconteceu algumas outras vezes depois disso. Como disse Rory Gilmore sobre um assunto completamente diferente, depois que você aprende o caminho na primeira vez é relativamente fácil fazer de novo.
Tive uma crise muito séria com Jornalismo, mas resolvi ficar. Eu realmente pretendia terminar o semestre e trancar o curso. Contar para o meu pai foi um modo de juntar forças para fazer o vestibular de novo, mas aí
fiz minha primeira reportagem séria. Entrevistei o presidente de uma seccional da OAB e foi MUITO legal! A faculdade às vezes pode ser desestimulante, mas redescobri que o jornalismo é legal.
Conheci e comecei a namorar meu namorado atual <3
Fui ao Rock in Rio e, consequentemente, ao meu primeiro show sério (o primeiro tinha sido The Fevers, uma banda do tempo dos seus pais e, se bobear, avós, mas que eu não tenho vergonha de admitir que gosto muito).
Fui pela primeira vez à Lapa. E gostei. O que nos leva a uma constatação: não doeu comemorar meu aniversário. Tinha tudo para doer, mas foi bom. Apesar dos vexames.
Deixei de ser antissocial e exercitei minha interatividade com pessoas da mesma espécie.
E, finalmente, estou fechando o ano com uma notícia que promete que 2012 vai ser muito bom, mas que ainda não posso contar ;)
São vários itens para dizer o que finalmente compreendi: 2011 não veio para eu me encontrar como pessoa, mas para dar um primeiro passo nesse processo. Saí da minha zona de conforto, resolvi seguir no caminho de encontrar alguém legal em mim mesma, realmente acreditando que ainda há salvação para alguém como eu. Queria dizer, porque é o que sinto no coração, que 2011 inteiro começou em agosto, com uma tristeza que parecia não ter mais fim, afinal, foi o mês em que eu mais me encontrei chorando em banheiros públicos e desabafando com estranhos.
Mas como essa listinha bem prova, isso não seria muito verídico. Coisas boas e ruins aconteceram. Coisas muito ruins aconteceram. Mas cá estou, firme e forte, e o que 2011 me ensinou acima de tudo foi: eu existo. Independente de tudo e de todos. Não sei inteiramente o quê é que existe em mim, mas sei que tem algo de valor aqui e que não preciso ter pressa em descobrir, não preciso ter pressa em conhecer o mundo em que existo sem antes conhecer a mim.
2011 foi o ano de sair do ninho e deixar um pouquinho de me ver um patinho feio. A frase do ano: "Isn't it time you got over how fragile you are?"
Para 2012 eu desejo a consolidação de tudo isso que aprendi. Desejo a mim mesma mais forte, menos medrosa. Desejo a paciência e a consciência de saber que em 1 ano muitas coisas mudam. Em 2012 eu quero sentir paz.
O PDT está no ar desde 10/08/2010. Não é por ser amante do tédio, mas hierarquicamente superior a ele, por reinar sobre ele. É para mostrar ao mundo a que ponto chegou o meu Big Bang.
Autora
Meu nome é Letícia, tenho 19 anos e sou estudante do quarto período de Jornalismo. Gosto de ler, escrever e de assistir filmes e seriados até tarde da noite. Amo gatos, a Clarice Lispector, o Jorge Amado e o Gabriel García Marquez. Acredito que tudo na vida passa e que só algumas coisas durem pra sempre, mas, acima de tudo, eu acredito no amor.